Ele era um fazedor de ovos fritos. O legítimo. Desde os quatro anos que sua mãe, irresponsavelmente, deixou-o à beira do fogão a admirar o preparo. A casca sendo quebrada, a clara e a gema caindo, o shhhhh da frigideira, o sal atirado, e o resultado, delicioso. Aos cinco já cozinhava sozinho, aos sete era especialista, aos quinze perfeccionista, aos 17 era o deus do ovo frito.
Ao quebrar a casca, fazia um movimento raro com as mãos, quase imperceptível. Normalmente preferia usar a colher para abrir o ovo, mas poderia fazê-lo em qualquer lugar. A rachadura na fina casca era perfeita, como se tivesse sido feita com régua e lápis. Separava o ovo em duas partes idênticas. Com os dedos do meio cuidava para que nenhum pedacinho sobrasse na frigideira. Deixava dourar o tempo perfeito, salpicava o sal fazendo parecer um golpe de ninjitsu, e ai virava o ovo por sete segundos. Sete segundos e nada mais. E estava pronto. O mais simples, saboroso e perfeito ovo frito.
Desprezava omeletes. Dizia que o queijo prejudicava a cor e o sabor da gema. Devia estar certo.
Decidiu abrir um restaurante aos 24. Aos 27 estava rico, tinha o melhor chef da cidade, o melhor atendimento, os pratos mais sofisticados. Porém, o mais importante da casa, e o mais pedido todas as noites era o ovo frito que preparava.
Foi então que um especialista em gastronomia de uma universidade francesa, que não era Sorbonne, veio ao seu restaurante. Pediu um ovo frito. Comeu e, um mês depois, deu quatro estrelas para aquele restaurante peculiarmente brasileiro.
Foi demais para ele. Largou o restaurante, abandonou sua casa, ignorou deveres e bens e sumiu. Dizem que faz ovos fritos para crianças mutiladas de Serra Leoa, atualmente.
Aquele era um homem de valor. Ele sabia que, por mais pomposo que parecesse o mundo, era na simplicidade que residia o grande sabor da vida. Era no detalhe. E, cá entre nós, a simplicidade é uma virtude que não pode ser medida em estrelas.
O Pitacos e Relatos é um blog que pretende tratar de política além de um pouquinho de futebol e outro tanto sobre o nada. Há anos venho moldando o formato e agora ele é bem definido, do jeito que eu queria,... uma zona. Assim como ele começou, espero que não mude nunca. Você é bem vindo, pitaque sobre os meus pitacos, a casa é sua.
2.2.07
26.1.07
O sofrimento (e não tem nada a ver com futebol)
Eu nunca imaginei que pudesse sofrer assim.
Por mais que eu seja um cara das ciências humanas, que seja absolutamente voltado para as paixões e as emoções que a vida traz, a linearidade me tranqüiliza. Gosto de ter o destino em minhas mãos. Gosto de acreditar que sou dono das minhas ações e das conseqüências que elas trazem.
É como se minha vida fosse um balão cheio d’água preso por um fio de naylon. Eu seguro sempre a ponta deste fio. Por mais que o balão viaje de um lado para o outro, sei que tenho aquela pontinha sempre em minhas mãos. Por mais longe que o balão vá, eu sei que posso trazê-lo de volta.
Mas existem alguns momentos da nossa vida, quando passamos por alguma razão a dividir com outras pessoas a ponta do fio de naylon, em que as coisas deixam de estar no seu controle. Acredito que passamos este fio às mãos de nossos familiares, às vezes. Entregamos a alguns amigos, poucos, é verdade. Às vezes fazemos a loucura de entregá-lo a uma pessoa por causa de trabalho. Mas poucas vezes entregar a sua vida nas mãos de alguém é mais danoso do que quando se entrega a alguém que você ama.
Acredito que, quando damos o fio de naylon a alguma grande paixão, é quando mais nos desprendemos. É quando fechamos os olhos e nos jogamos naquele imenso abismo do tempo e da realidade. E fazendo isso, cedo, tarde ou, com sorte, nunca, aquela pessoa pode largar o fio de naylon, e aí meu amigo, é torcer para o balão não estourar quando se encontrar com o chão.
Todo mundo já teve seu momento de queda livre. Eu tive o meu. O balão não estourou, mas agora estou com medo de voltar a entregar o fio de naylon nas mãos de alguém, ao menos por enquanto.
Peço desculpas pelo desabafo, meu blog nunca foi pra isso. De todo jeito, este é um texto sincero, e acredito que só meus amigos lêem estes escritos atualmente. Gostaria que todos vocês soubessem como me sinto. E obrigado pela força de sempre.
Por mais que eu seja um cara das ciências humanas, que seja absolutamente voltado para as paixões e as emoções que a vida traz, a linearidade me tranqüiliza. Gosto de ter o destino em minhas mãos. Gosto de acreditar que sou dono das minhas ações e das conseqüências que elas trazem.
É como se minha vida fosse um balão cheio d’água preso por um fio de naylon. Eu seguro sempre a ponta deste fio. Por mais que o balão viaje de um lado para o outro, sei que tenho aquela pontinha sempre em minhas mãos. Por mais longe que o balão vá, eu sei que posso trazê-lo de volta.
Mas existem alguns momentos da nossa vida, quando passamos por alguma razão a dividir com outras pessoas a ponta do fio de naylon, em que as coisas deixam de estar no seu controle. Acredito que passamos este fio às mãos de nossos familiares, às vezes. Entregamos a alguns amigos, poucos, é verdade. Às vezes fazemos a loucura de entregá-lo a uma pessoa por causa de trabalho. Mas poucas vezes entregar a sua vida nas mãos de alguém é mais danoso do que quando se entrega a alguém que você ama.
Acredito que, quando damos o fio de naylon a alguma grande paixão, é quando mais nos desprendemos. É quando fechamos os olhos e nos jogamos naquele imenso abismo do tempo e da realidade. E fazendo isso, cedo, tarde ou, com sorte, nunca, aquela pessoa pode largar o fio de naylon, e aí meu amigo, é torcer para o balão não estourar quando se encontrar com o chão.
Todo mundo já teve seu momento de queda livre. Eu tive o meu. O balão não estourou, mas agora estou com medo de voltar a entregar o fio de naylon nas mãos de alguém, ao menos por enquanto.
Peço desculpas pelo desabafo, meu blog nunca foi pra isso. De todo jeito, este é um texto sincero, e acredito que só meus amigos lêem estes escritos atualmente. Gostaria que todos vocês soubessem como me sinto. E obrigado pela força de sempre.
19.12.06
Ronaldinho Gaúcho e a Ditadura da Mídia
Fabio Cannavaro, zagueiro do Real Madrid e capitão da seleção italiana de futebol é o melhor do mundo em 2006. Eleito pela FIFA, o defensor acumula os dois principais prêmios internacionais do futebol, esse e o da revista France Football, que sabe-se lá porque é tão respeitado.
Foram 498 pontos contra 454 de Zinedine Zidane e 380 de Ronaldinho Gaúcho. Eu fui o primeiro a pedir Cannavaro como o melhor da copa. Acho que ele foi soberbo, espetacular. Mas daí a ser eleito o melhor do mundo do ano vai-se um caminho enorme. É fácil desfazer, com dados, as opções da FIFA.
Cannavaro teve um bom primeiro semestre, a Juventus teve uma média baixa de gols sofridos. Mas ficou comprovado que não foi só competência de sua defesa. Envolvida em maracutaias que fariam Edílson Pereira de Carvalho corar, a Velha Senhora (como carinhosamente é chamada a Juventus) foi rebaixada para a segunda divisão do campeonato italiano. Fica claro que não foi só a competência de Cannavaro e Buffon que impediram os adversários de fazerem gols. O Segundo semestre de Cannavaro começou muito bem. Foi um mês raro, daqueles para se lembrar. Uma copa impecável. E aí veio o Real Madrid e atuações apagadas. Considero um ano um tanto irregular para se fazer de Cannavaro o melhor do mundo.
Quanto a Zidane parece piada ele terminar em segundo. Aliás, parece piada ele concorrer. Depois de um primeiro semestre sofrível em que o Real Madrid colecionou insucessos levando o veterano Zidane à reserva antes do meio de temporada, veio a Copa do Mundo. Zidane fez dois belos jogos, contra Espanha e Brasil, e deitou no berço esplêndido da fama para ser eleito o melhor da Copa. Ainda encerrou sua história no futebol com uma cabeçada no zagueiro italiano Materazzi. Expulso de campo declarou terminados seus dias no futebol. E não jogou mais no segundo semestre.
Fazer dessas duas figuras os dois melhores do ano é piada de péssimo gosto. Cannavaro ainda vá lá, façamos vistas grossas à interferência da arbitragem e dos próprios jogadores em campo, mas Zidane?
Tal decisão, em verdade, teria levantado pouca discussão se não tivesse ficado em terceiro lugar o gênio Ronaldinho Gaúcho. Com um ano quase impecável, só pôde ter sua jornada contestada no mês da Copa do Mundo. No resto do ano foi indiscutível. Foi campeão espanhol carregando o Barça nas costas, campeão da Copa dos Campeões sendo o principal jogador de sua equipe, voltou para o segundo semestre depois da copa com a mídia olhando de nariz torto para o seu talento e voltou a calar a todos com atuações fora do comum.
Tradicionalmente a mídia decide esse tipo de escolha. A pressão da imprensa internacional é forte em demasia. Foi assim com Zidane que foi endeusado depois do jogo espetacular que fez contra o Brasil na Copa. Ele é um dos marcos da história do futebol recente, eu concordo, mas teve um ano pífio, se analisado por inteiro. Quanto a Cannavaro, bastou ter a Itália campeã com um autêntico ferrolho, sem grandes estrelas aparentes do meio para a frente (Totti se machucou), para procurarem na defesa uma alternativa e tentar fazer justiça a todos os grandes defensores deixados de lado na história dos prêmios mundiais.
É uma pena, Ronaldinho foi o melhor do ano. Ao lado dele eu elegeria Kaká e Pirlo, talvez tendesse a escolher Makelele, sempre esquecido nos meios de campo em que atua. Cannavaro ficaria entre os dez melhores, Zidane não entraria no top 30.
Patético o papel pouco analítico da mídia futebolística mundial. Vendo decisões como esta, me convenço que a tendência persegue o meio. Se em Belo Horizonte vemos absurdos como Fábio sendo eleito melhor goleiro do ano em Minas, no nacional vemos Rogério Ceni sendo eleito o melhor jogador do campeonato e Wagner o melhor meia, é natural que Zidane seja o segundo melhor do ano. Quem não sabe nada de futebol sou eu.
Alexandre Abramo, jornalista radicado em Três Marias, assessor de imprensa de jogador de futebol acredita que um mundo que tem Ronaldinho Gaúcho não precisa de Cannavaro.
Foram 498 pontos contra 454 de Zinedine Zidane e 380 de Ronaldinho Gaúcho. Eu fui o primeiro a pedir Cannavaro como o melhor da copa. Acho que ele foi soberbo, espetacular. Mas daí a ser eleito o melhor do mundo do ano vai-se um caminho enorme. É fácil desfazer, com dados, as opções da FIFA.
Cannavaro teve um bom primeiro semestre, a Juventus teve uma média baixa de gols sofridos. Mas ficou comprovado que não foi só competência de sua defesa. Envolvida em maracutaias que fariam Edílson Pereira de Carvalho corar, a Velha Senhora (como carinhosamente é chamada a Juventus) foi rebaixada para a segunda divisão do campeonato italiano. Fica claro que não foi só a competência de Cannavaro e Buffon que impediram os adversários de fazerem gols. O Segundo semestre de Cannavaro começou muito bem. Foi um mês raro, daqueles para se lembrar. Uma copa impecável. E aí veio o Real Madrid e atuações apagadas. Considero um ano um tanto irregular para se fazer de Cannavaro o melhor do mundo.
Quanto a Zidane parece piada ele terminar em segundo. Aliás, parece piada ele concorrer. Depois de um primeiro semestre sofrível em que o Real Madrid colecionou insucessos levando o veterano Zidane à reserva antes do meio de temporada, veio a Copa do Mundo. Zidane fez dois belos jogos, contra Espanha e Brasil, e deitou no berço esplêndido da fama para ser eleito o melhor da Copa. Ainda encerrou sua história no futebol com uma cabeçada no zagueiro italiano Materazzi. Expulso de campo declarou terminados seus dias no futebol. E não jogou mais no segundo semestre.
Fazer dessas duas figuras os dois melhores do ano é piada de péssimo gosto. Cannavaro ainda vá lá, façamos vistas grossas à interferência da arbitragem e dos próprios jogadores em campo, mas Zidane?
Tal decisão, em verdade, teria levantado pouca discussão se não tivesse ficado em terceiro lugar o gênio Ronaldinho Gaúcho. Com um ano quase impecável, só pôde ter sua jornada contestada no mês da Copa do Mundo. No resto do ano foi indiscutível. Foi campeão espanhol carregando o Barça nas costas, campeão da Copa dos Campeões sendo o principal jogador de sua equipe, voltou para o segundo semestre depois da copa com a mídia olhando de nariz torto para o seu talento e voltou a calar a todos com atuações fora do comum.
Tradicionalmente a mídia decide esse tipo de escolha. A pressão da imprensa internacional é forte em demasia. Foi assim com Zidane que foi endeusado depois do jogo espetacular que fez contra o Brasil na Copa. Ele é um dos marcos da história do futebol recente, eu concordo, mas teve um ano pífio, se analisado por inteiro. Quanto a Cannavaro, bastou ter a Itália campeã com um autêntico ferrolho, sem grandes estrelas aparentes do meio para a frente (Totti se machucou), para procurarem na defesa uma alternativa e tentar fazer justiça a todos os grandes defensores deixados de lado na história dos prêmios mundiais.
É uma pena, Ronaldinho foi o melhor do ano. Ao lado dele eu elegeria Kaká e Pirlo, talvez tendesse a escolher Makelele, sempre esquecido nos meios de campo em que atua. Cannavaro ficaria entre os dez melhores, Zidane não entraria no top 30.
Patético o papel pouco analítico da mídia futebolística mundial. Vendo decisões como esta, me convenço que a tendência persegue o meio. Se em Belo Horizonte vemos absurdos como Fábio sendo eleito melhor goleiro do ano em Minas, no nacional vemos Rogério Ceni sendo eleito o melhor jogador do campeonato e Wagner o melhor meia, é natural que Zidane seja o segundo melhor do ano. Quem não sabe nada de futebol sou eu.
Alexandre Abramo, jornalista radicado em Três Marias, assessor de imprensa de jogador de futebol acredita que um mundo que tem Ronaldinho Gaúcho não precisa de Cannavaro.
30.11.06
Mudar pro interior me fez diferente. Eu até já morei no interior, mas no interior dos Estados Unidos. Além de ser deserto e de ter muito mexicano, tem Mc Donald´s pra todo lado, o que tira a característica pura do nosso interior.
Viver aqui tem me feito bem. Eu, um cara urbano até o osso, menino de apartamento (que nunca morou em apartamento), tive que vir me encontrar com o que há de mais precioso e aflitivo em morar fora de casa. A solidão, a paradeira e o mato. Como tem mato. Mato pra todo lado, árvore, cerrado, cobra (dizem), lagartixas do tamanho de um dragão, bem nutridas pelos insetinhos, insetinhos estes bem menos irritantes que os da cidade.
Não é o mato que me faz alguém melhor, é a solidão. Solidão é uma palavra meio triste, não é essa a idéia. É o viver só de pensar na vida, avaliar os valores. É o viver só de saborear os momentos, saborear os meus momentos. É dormir cedo, já que não tenho mais nada pra fazer, ninguém pra conversar, sem internet pra ocupar o tempo em que deveria estar dormindo. Consequentemente não tem essa de dormir 4 horas numa noite, não existe fazer as coisas de última hora. Tem trabalho, e o trabalho definitivamente enobrece o homem.
Eu moro na cidade em que Guimarães Rosa iniciou a sua busca pelo grande Sertão, bem do ladinho das veredas que ele apregoou pro mundo inteiro. Escuto o povo falar mineirês mais mineiro que qualquer Minas Gerais do Universo. E, surpreendentemente, adoro cada coisinha. Talvez por estar tão perto de Guimarães, tenha me tornado um cara mais confuso, confuso no dizer, mais simples no viver. Minha cabeça voa à altura de urubuir, e quero escrever o tempo todo. Quero dar pitaco em tudo, quero fingir de escritor, quero brincar de inteligente. Acima de tudo eu quero ser eu mesmo, coisa que, às vezes, na cidade grande, sem entender direito por que, a gente não consegue.
Viver aqui tem me feito bem. Eu, um cara urbano até o osso, menino de apartamento (que nunca morou em apartamento), tive que vir me encontrar com o que há de mais precioso e aflitivo em morar fora de casa. A solidão, a paradeira e o mato. Como tem mato. Mato pra todo lado, árvore, cerrado, cobra (dizem), lagartixas do tamanho de um dragão, bem nutridas pelos insetinhos, insetinhos estes bem menos irritantes que os da cidade.
Não é o mato que me faz alguém melhor, é a solidão. Solidão é uma palavra meio triste, não é essa a idéia. É o viver só de pensar na vida, avaliar os valores. É o viver só de saborear os momentos, saborear os meus momentos. É dormir cedo, já que não tenho mais nada pra fazer, ninguém pra conversar, sem internet pra ocupar o tempo em que deveria estar dormindo. Consequentemente não tem essa de dormir 4 horas numa noite, não existe fazer as coisas de última hora. Tem trabalho, e o trabalho definitivamente enobrece o homem.
Eu moro na cidade em que Guimarães Rosa iniciou a sua busca pelo grande Sertão, bem do ladinho das veredas que ele apregoou pro mundo inteiro. Escuto o povo falar mineirês mais mineiro que qualquer Minas Gerais do Universo. E, surpreendentemente, adoro cada coisinha. Talvez por estar tão perto de Guimarães, tenha me tornado um cara mais confuso, confuso no dizer, mais simples no viver. Minha cabeça voa à altura de urubuir, e quero escrever o tempo todo. Quero dar pitaco em tudo, quero fingir de escritor, quero brincar de inteligente. Acima de tudo eu quero ser eu mesmo, coisa que, às vezes, na cidade grande, sem entender direito por que, a gente não consegue.
21.11.06
Mudando de Casa
Com um objetivo metade estético, 1/4 por estatísticas e 1/4 pra tentar movimentar o meu blog, mudo meus escritos de casa. A partir de agora venho para o Blogger que é, além de mais charmoso, dez vezes mais funcional que o Uol. No geral o blog continua a mesma coisa. Vou pitacar 70% das vezes sobre Política, 25% das vezes sobre futebol e 5% das vezes sobre outras coisas. Quem sabe eu decido de vez e transformo meu blog em um assunto só, mas isso é mais pra frente.
O trabalho para transferir todo o conteúdo foi Hercúleo, mas gostei do resultado. Como o blogger não tem um sistema de importação de notas de outros blogs, todas as notas estão publicadas com a data de hoje. Porém inclui, uma por uma, as datas originais no título. Infelizmente acabamos perdendo todo o conteúdo de comentários, mas isso a gente tira o atraso por aqui mesmo.
Boa diversão pra vocês e eu vou começar a postar com mais frequência. Participe, comente, não deixe de visitar.
Abraço e valeu pela fidelidade.
O trabalho para transferir todo o conteúdo foi Hercúleo, mas gostei do resultado. Como o blogger não tem um sistema de importação de notas de outros blogs, todas as notas estão publicadas com a data de hoje. Porém inclui, uma por uma, as datas originais no título. Infelizmente acabamos perdendo todo o conteúdo de comentários, mas isso a gente tira o atraso por aqui mesmo.
Boa diversão pra vocês e eu vou começar a postar com mais frequência. Participe, comente, não deixe de visitar.
Abraço e valeu pela fidelidade.
10/11/2006 - Futebol, paixão e o princípio do sofrimento
Dando um tempo nas matérias políticas, vai uma outra sobre futebol que tenho constume de escrever para o http://www.showdebola.com.br/
Futebol, paixão e o sentido do sofrimento
O futebol é uma paixão inexplicável. Eu, que sempre tentei ser ponderado em meus escritos aqui no Show de Bola, me deixo levar completamente pela paixão e faço um texto tendencioso, sem ondas e sem amarras. Eu sou atleticano, nasci assim, cresci vendo o Galo ganhar e adolesci vendo o Galo empatar, infelizmente adulteço vendo o Galo perder. Aliás, via o Galo perder.
O princípio do sofrimento
Sofrer pra mim não é nada demais, faz parte da minha história futebolística. Sou um ansioso comedor de unhas por natureza. Mas quando vi da arquibancada o empate entre o meu Galo com o Vasco, no ano passado, confesso que temi pelo pior. Apesar da reforma drástica feita no elenco por Lori Sandri, colocando em campo uma maioria absoluta de jogadores da base, dentre eles dois para quem eu fazia assessoria de imprensa, nem ganhando os quatro e empatando um dos cinco últimos jogos foi possível segurar o Galo na série A.
Com os olhos marejados vi a torcida cantar o hino, obstinada, sofrendo com o coração apertado e a alma ardendo, vendo o seu time querido ir parar na série B.
Pra você pode ser fácil leitor, talvez nunca tenha passado por isso. Mas o que esperar de um time formado por jovens jogando uma competição amarrada e truncada como a série B? Talvez vocês não tenham visto o Remo x Ituano em que foi registrada a magnífica marca de 80 passes errados e 81 faltas. Quais são as chances de um elenco com Danilinho, Marcinho, Marinnho, Luizinnho, vencer jogando contra o Náutico e os seus monstruosos zagueiros nos Aflitos? É muito inho num time só, certo? Errado.
Foi nesse quadro que passamos a acompanhar o Galo nas sextas, terças e sábados até a Copa, com o time encerrando a décima rodada mais próximo à zona de rebaixamento que da de classificação.
E, mais uma vez eu fitei a tragédia. Olhava o América Mineiro, glorioso em tempos remotos, equipe em que jogaram meu avô e bisavô, que fazia com o Atlético o clássico das multidões antes da era Mineirão, equipe que bateu com esfuziantes 17 x 0 o Palestra Itália, atual Cruzeiro, e via na história daquele time, agora na série C, sem forças para se reerguer, um lampejo do que poderíamos vir a ser um dia. Mas quiseram os deuses que o elenco de inhos, ao lado do turrão mas eficiente Levir Culpi chegassem à série A sem precisar do sofrimento com que conviveu o Grêmio na temporada de 2005.
Uma no depois, a redenção
Galo e São Raimundo fariam a partida que, caso combinada com um ou dois resultados, decretariam a volta efetiva ou quase efetiva do Galo à série A. Devido aos impasses da vida, estava em Três Marias, cidade do interior de Minas, no dia do jogo. Cheguei em BH às 20:15, com o jogo acontecendo às 20:30. Não é preciso de muita inteligência para saber que ao menos um quarto dos mais de 40 mil torcedores que iriam ao campo estariam presos no engarrafamento em volta do estádio. Sentei sozinho na Tribuna de Imprensa faltando 7 minutos para o fim do primeiro tempo e fiquei triste de não ter podido chegar mais cedo e estar no meu lugar de tradição, junto à torcida que é torcida de verdade.
E eu, que nunca fui pé quente, abri a porteira para os Gols de Galvão. Foram três dele e um de Marinho, fora a atuação impecável de Diego e Lima, os dois para quem faço assessoria de imprensa.
Quando o juiz apitou o final do segundo tempo os olhos marejaram de novo, como tinha acontecido quase um ano antes, contra o Vasco, mas dessa vez meu peito se estufava de alívio, estava acabado, o ano que vem seria de novo na série A. Sofrer é um estágio, e é só através do sofrimento que se concretizam fidelidade e paixão, e pude ver isso com os meus olhos cheios d´água em um Mineirão lotado numa noite de terça-feira.
Ao analisar hoje a emoção que sinto nesse tipo de situação, penso em como bobos nós, fanáticos por futebol, somos. Futebol é, definitivamente, a mais importante dentre as coisas menos importantes do mundo. Futebol não justifica violência, não justifica morte, não justifica corrupção. Na verdade acredito que nem valeria a pena existir futebol já que ele vem junto de todas essas variáveis. Mas existe, então aproveitemos.
Eu sinto, e pode me chamar de otimista, de irreal e estúpido, de fantasioso, de utópico, mas depois de adultecer vendo o galo perder, sinto que vou poder envelhecer vendo o Galo de novo campeão.
Futebol, paixão e o sentido do sofrimento
O futebol é uma paixão inexplicável. Eu, que sempre tentei ser ponderado em meus escritos aqui no Show de Bola, me deixo levar completamente pela paixão e faço um texto tendencioso, sem ondas e sem amarras. Eu sou atleticano, nasci assim, cresci vendo o Galo ganhar e adolesci vendo o Galo empatar, infelizmente adulteço vendo o Galo perder. Aliás, via o Galo perder.
O princípio do sofrimento
Sofrer pra mim não é nada demais, faz parte da minha história futebolística. Sou um ansioso comedor de unhas por natureza. Mas quando vi da arquibancada o empate entre o meu Galo com o Vasco, no ano passado, confesso que temi pelo pior. Apesar da reforma drástica feita no elenco por Lori Sandri, colocando em campo uma maioria absoluta de jogadores da base, dentre eles dois para quem eu fazia assessoria de imprensa, nem ganhando os quatro e empatando um dos cinco últimos jogos foi possível segurar o Galo na série A.
Com os olhos marejados vi a torcida cantar o hino, obstinada, sofrendo com o coração apertado e a alma ardendo, vendo o seu time querido ir parar na série B.
Pra você pode ser fácil leitor, talvez nunca tenha passado por isso. Mas o que esperar de um time formado por jovens jogando uma competição amarrada e truncada como a série B? Talvez vocês não tenham visto o Remo x Ituano em que foi registrada a magnífica marca de 80 passes errados e 81 faltas. Quais são as chances de um elenco com Danilinho, Marcinho, Marinnho, Luizinnho, vencer jogando contra o Náutico e os seus monstruosos zagueiros nos Aflitos? É muito inho num time só, certo? Errado.
Foi nesse quadro que passamos a acompanhar o Galo nas sextas, terças e sábados até a Copa, com o time encerrando a décima rodada mais próximo à zona de rebaixamento que da de classificação.
E, mais uma vez eu fitei a tragédia. Olhava o América Mineiro, glorioso em tempos remotos, equipe em que jogaram meu avô e bisavô, que fazia com o Atlético o clássico das multidões antes da era Mineirão, equipe que bateu com esfuziantes 17 x 0 o Palestra Itália, atual Cruzeiro, e via na história daquele time, agora na série C, sem forças para se reerguer, um lampejo do que poderíamos vir a ser um dia. Mas quiseram os deuses que o elenco de inhos, ao lado do turrão mas eficiente Levir Culpi chegassem à série A sem precisar do sofrimento com que conviveu o Grêmio na temporada de 2005.
Uma no depois, a redenção
Galo e São Raimundo fariam a partida que, caso combinada com um ou dois resultados, decretariam a volta efetiva ou quase efetiva do Galo à série A. Devido aos impasses da vida, estava em Três Marias, cidade do interior de Minas, no dia do jogo. Cheguei em BH às 20:15, com o jogo acontecendo às 20:30. Não é preciso de muita inteligência para saber que ao menos um quarto dos mais de 40 mil torcedores que iriam ao campo estariam presos no engarrafamento em volta do estádio. Sentei sozinho na Tribuna de Imprensa faltando 7 minutos para o fim do primeiro tempo e fiquei triste de não ter podido chegar mais cedo e estar no meu lugar de tradição, junto à torcida que é torcida de verdade.
E eu, que nunca fui pé quente, abri a porteira para os Gols de Galvão. Foram três dele e um de Marinho, fora a atuação impecável de Diego e Lima, os dois para quem faço assessoria de imprensa.
Quando o juiz apitou o final do segundo tempo os olhos marejaram de novo, como tinha acontecido quase um ano antes, contra o Vasco, mas dessa vez meu peito se estufava de alívio, estava acabado, o ano que vem seria de novo na série A. Sofrer é um estágio, e é só através do sofrimento que se concretizam fidelidade e paixão, e pude ver isso com os meus olhos cheios d´água em um Mineirão lotado numa noite de terça-feira.
Ao analisar hoje a emoção que sinto nesse tipo de situação, penso em como bobos nós, fanáticos por futebol, somos. Futebol é, definitivamente, a mais importante dentre as coisas menos importantes do mundo. Futebol não justifica violência, não justifica morte, não justifica corrupção. Na verdade acredito que nem valeria a pena existir futebol já que ele vem junto de todas essas variáveis. Mas existe, então aproveitemos.
Eu sinto, e pode me chamar de otimista, de irreal e estúpido, de fantasioso, de utópico, mas depois de adultecer vendo o galo perder, sinto que vou poder envelhecer vendo o Galo de novo campeão.
06/09/2006 - Leão, o Corinthians e os Deuses do mundo da bola/24 de Agosto de 2006
A minha mais remota recordação do técnico Leão (do técnico) é uma excelente passagem pelo Galo mineiro no meio da década de 90. Com um time mais ou menos, Leão puxou jogadores do júnior e montou um meio campo pegador formado por dois volantes que nunca mais jogaram nada em lugar nenhum, Edgar e Roberto. Roberto era daquele tipo carrapato, quem mandasse o garoto marcar, ele acompanhava até no vestiário. Leão trouxe também do júnior um habilidoso lateral esquerdo franzino mas talentoso e disse a ele: "garoto, você tem dez jogos pra me provar que pode jogar no time titular do Atlético, se até lá não jogar, você volta pro júnior". Existe uma versão que ele falou cinco jogos, outra que ele disse sete, mas acredito que ele teria sido um tanto quanto excêntrico caso tivesse feito essa última proposta. Um número torto assim não serve de referência pra nada. Esse lateral era Dedê, hoje jogador do Borussia Dortmund, já com 28 anos, até o começo do ano passado capitão do time. De lá pra cá confesso que deixei de acompanhar o Borussia e não sei como ele anda. No ataque um Marques renegado pelo Corinthians junto do Valdir Bigode. No gol um Cláudio André Taffarel já ídolo. Era pra ter sido um desastre. Não foi.
Não foi porque era um time aguerrido. E porque Leão era macho o suficiente para fazer as alterações necessárias. Dei essa volta toda para chegar ao Corinthians de hoje. Que o Leão faz bons trabalhos ninguém discute. Mas ninguém discute também que 50% das vezes ele gera tanto melindre no grupo que o trabalho vai por água abaixo.
Emerson Leão é o técnico do Corinthians e eu acho que vai dar certo. Primeiro porque ele fez a coisa mais óbvia que deveria ter sido feita há tempos, tirou a braçadeira de capitão de Carlitos Tevez. É tão óbvio assim por dois motivos. Primeiro pelo que Leão já alegou: como o cara pode ser o capitão de uma equipe sendo que ninguém, ninguém entende nada do que ele fala? Uns vão dizer que a linguagem do futebol é universal. Universal é a vaia, tirando isso o resto é balela. A outra razão é a atitude. Muita gente vai dizer que a atitude de Tevez em campo é exemplar, e é mesmo. Corre, chuta, dá combate. Mas isso não importa se ele só joga quando quer. Tevez é o Romário corinthiano. Ganha absurdos e alega motivos pessoais quando quer para não treinar, faltar jogo, e acaba sempre indo cantar cumbia na Argentina.
Eu não tenho nada contra argentinos. Inclusive tenho bons amigos de lá. Mas argentino marrento é a pior raça do mundo ao lado de pseudo-hippies sandalhudos (citação de Kabella). Por ser macho o suficiente para botar Tevez no lugar dele, por ser macho o suficiente para escolher o lado certo na briga Marcelinho x Mascherano, por ser macho o suficiente para deixar o goleiro Marcelo jogar, por ser macho o suficiente para dizer que pouco se importa com o que o Kia está pensando, por ser macho o suficiente para reintegrar ao grupo o Roger, Leão vai dar certo no Corinthians. Vai dar certo se os jogadores não tiverem ciúmes da pavonice dele e quiserem copiar. O elenco do Corinthians é mal equilibrado mas, mesmo assim, é um ótimo elenco.
Agora vem o ponto final e mais crítico de toda essa situação do Corinthians. Alegando problemas com Leão, Kia promete abandonar o comando da parceria e o futebol do Corinthians. Na prática muda muito pouco, já que ele não é nenhum gênio da cartolice mundial, só tem muito dinheiro. O crítico mesmo é que, pra mim, essa briguinha começa me cheirar a uma fuga programada da MSI. Talvez já tenham feito o que vieram fazer e, vendendo o Tevez, estejam satisfeitos. Continuariam com os direitos de vários jogadores do Corinthians. Mas ai é que a porca torce o rabo. A MSI não vai ficar pra sempre. A história de parcerias do Brasil diz isso. E no dia em que a MSI for embora o Corinthians está fulminado. Além da falta de dinheiro que antecedeu a parceria, o Corinthians tem um elenco inchadíssimo, caro, uma folha de pagamento astronômica e, não se enganem, a MSI não paga ninguém direito. Deve parcelas de compras de jogadores pra todo lado.
Que Leão seja feliz e queime muitos egos por ai. Eu prefiro um ego inflado de um homem de mais de 50 anos como o dele quando vem pra subjugar egos inflados de meninos de 21 anos que se julgam deuses do mundo.
Não foi porque era um time aguerrido. E porque Leão era macho o suficiente para fazer as alterações necessárias. Dei essa volta toda para chegar ao Corinthians de hoje. Que o Leão faz bons trabalhos ninguém discute. Mas ninguém discute também que 50% das vezes ele gera tanto melindre no grupo que o trabalho vai por água abaixo.
Emerson Leão é o técnico do Corinthians e eu acho que vai dar certo. Primeiro porque ele fez a coisa mais óbvia que deveria ter sido feita há tempos, tirou a braçadeira de capitão de Carlitos Tevez. É tão óbvio assim por dois motivos. Primeiro pelo que Leão já alegou: como o cara pode ser o capitão de uma equipe sendo que ninguém, ninguém entende nada do que ele fala? Uns vão dizer que a linguagem do futebol é universal. Universal é a vaia, tirando isso o resto é balela. A outra razão é a atitude. Muita gente vai dizer que a atitude de Tevez em campo é exemplar, e é mesmo. Corre, chuta, dá combate. Mas isso não importa se ele só joga quando quer. Tevez é o Romário corinthiano. Ganha absurdos e alega motivos pessoais quando quer para não treinar, faltar jogo, e acaba sempre indo cantar cumbia na Argentina.
Eu não tenho nada contra argentinos. Inclusive tenho bons amigos de lá. Mas argentino marrento é a pior raça do mundo ao lado de pseudo-hippies sandalhudos (citação de Kabella). Por ser macho o suficiente para botar Tevez no lugar dele, por ser macho o suficiente para escolher o lado certo na briga Marcelinho x Mascherano, por ser macho o suficiente para deixar o goleiro Marcelo jogar, por ser macho o suficiente para dizer que pouco se importa com o que o Kia está pensando, por ser macho o suficiente para reintegrar ao grupo o Roger, Leão vai dar certo no Corinthians. Vai dar certo se os jogadores não tiverem ciúmes da pavonice dele e quiserem copiar. O elenco do Corinthians é mal equilibrado mas, mesmo assim, é um ótimo elenco.
Agora vem o ponto final e mais crítico de toda essa situação do Corinthians. Alegando problemas com Leão, Kia promete abandonar o comando da parceria e o futebol do Corinthians. Na prática muda muito pouco, já que ele não é nenhum gênio da cartolice mundial, só tem muito dinheiro. O crítico mesmo é que, pra mim, essa briguinha começa me cheirar a uma fuga programada da MSI. Talvez já tenham feito o que vieram fazer e, vendendo o Tevez, estejam satisfeitos. Continuariam com os direitos de vários jogadores do Corinthians. Mas ai é que a porca torce o rabo. A MSI não vai ficar pra sempre. A história de parcerias do Brasil diz isso. E no dia em que a MSI for embora o Corinthians está fulminado. Além da falta de dinheiro que antecedeu a parceria, o Corinthians tem um elenco inchadíssimo, caro, uma folha de pagamento astronômica e, não se enganem, a MSI não paga ninguém direito. Deve parcelas de compras de jogadores pra todo lado.
Que Leão seja feliz e queime muitos egos por ai. Eu prefiro um ego inflado de um homem de mais de 50 anos como o dele quando vem pra subjugar egos inflados de meninos de 21 anos que se julgam deuses do mundo.
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