26.4.11

O triste fim da oposição brasileira

A oposição falhou miseravelmente.


Isso é tudo que se pode concluir com o que está acontecendo com a política brasileira nos últimos 10 anos, mais intensamente nos últimos 2.


Com a fundação do novo partido de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, o PSDB e o DEM, principalmente em São Paulo, têm perdido diversos de seus quadros para a nova legenda.


E qual é o discurso de Kassab para amealhar os seus novos asseclas? O de mais proximidade com o centro e, consequentemente, com o governo.


A grande dificuldade que DEM e PSDB tiveram nos últimos anos tem origem na sua história de vida. Com raras exceções no princípio da história do PSDB, eles nunca foram oposição. Então, como fazer isso? O que faz um Bornhausen, que há 40 anos mama nas tetas do estado? Aposentadoria. E para aqueles que não têm idade para sair de fininho? Sobra o mico.


E porque têm tanta dificuldade em emplacar seus discursos com a opinião nacional? Afinal de contas deveria ser barbada bater em um governo que operou um desmascaradíssimo mensalão, certo? O problema é que o sujo, quando fala do mal lavado, não consegue ser levado a sério.


Ao PT, nos tempos de oposição, sobravam dois discursos fortes que não podiam ainda ser desconstruídos. O da justiça social e o da honestidade. No primeiro avançou-se, já no segundo...


É bem possível que o PT, ao passar de volta para o outro lado, o da oposição, tenha as mesmas dificuldades que têm hoje DEM e PSDB. Afinal ninguém mais pode acreditar em hombridade e coerência depois do que temos visto.


Temos situação e oposição igualmente chafurdadas na lama do fisiologismo, da politicagem, da troca de favores escusos, da ineficiência administrativa e da preguiça (sendo brando) em tentar constituir um país mais sério.


Hoje o governo tem 3/4 do congresso nacional. E é possível que tenha mais em breve.


Os lúcidos oposicionistas, como é o caso de Aécio Neves (pra quem acha que o estou defendendo, favor ler meu último texto), tentam remar praticamente sozinhos no caminho de uma reforma de seus partidos, solução única para a sobrevivência. O DEM tentou, mas de tão sujo não convenceu.


Já existe na oposição algum eco de que a inflação pode ameaçar a soberania petista. Mas não dá pra negar, a turma do governo tem sido firme nesse assunto e dado um bocado de sorte. A tendência de aumento tende a ser freada pelo número absurdo de braços chineses, todos eles incrivelmente baratos, no mercado de trabalho. Isso inunda o varejo de importações e derruba, ao lado de produtores nacionais, a inflação. E não sou eu, jornaleiro, quem diz, são os economistas.


Eles gostam de dizer que, mesmo fazendo tudo errado como faz hoje, o Brasil tende a crescer nos próximos 15 anos, enquanto o mundo desenvolvido, governos ultra endividados e setores produtivos pressionados, tende a estagnar. Ásia e América Latina são as bolas da vez.


Um barril de petróleo Vale dez vezes mais que há dez anos, uma televisão de última geração vale 15 vezes menos. As tais commodities bombam, e continuarão bombando enquanto China e India crescem.


Em que lugar fica a oposição do país neste período? Provavelmente escondida, enrugada e enrustida, para usar só palavras com e.


A menos que algo gigantesco aconteça no cenário global ou nacional, o PT elegerá os próximos 3 presidentes.


A questão é: uma oposição assim faz bem para o país?


Independente da competência ou incompetência de quem governa, oposição fraca não é bom para ninguém. Quanto menos força, menos fiscalização. Quanto menos força, menos receio de se fazer o que é errado.


Mas não dá para culpar o PT pela incompetência de seus opositores. Cavaram, por muitos anos, sua própria cova. Eles agora têm duas opções: serem enterrados ou cremados. O renascimento passa pela fantasia. Que tipo escolher? Zumbis ou Fênix?


Só vejo uma saída de futuro, jogarem abaixo a maioria do que fizeram até hoje e recomeçar do zero. Essa é a solução Fênix. A solução zumbi é ficar em estado putrefato rondando pelo congresso, esperando o momento dos vivos darem um mole e eles poderem se alimentar. Os economistas acreditam que a espera pode ser longa. Mas como os economistas em geral estão errados, essa deve ser a opção final da oposição brasileira.


Caramba, como é triste ver a política reduzida a um filme de ficção científica.

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