15.9.10

“Precisamos extirpar o DEM da Política”

Já faz algum tempo que tenho dificuldades para concordar com as declarações do presidente Lula.

Reconheço os avanços do mandato dele no que diz respeito à busca, ainda que mambembe, pela erradicação da miséria no país e não restam dúvidas de que há méritos no que foi feito neste tema nos últimos anos.

Entretanto, ouvir que o Sarney é um cara legal, que se Jesus vivesse hoje precisaria se aliar a Judas... são galhofas. Usei essa palavra antiquada porque é exatamente o que essas situações me parecem. Piadas velhas, datadas e sem graça. Acho até que ele é bem consciente da necessidade de manter a governabilidade através de alianças que, em condições normais de temperatura e pressão, nunca seriam feitas, como é o caso do acerto com Collor.

Tudo bem. Eu posso até entender, mas não tenho a menor intenção de concordar e aceitar isso.

Entretanto, depois de passar longas datas discordando de Lula, voltei a entrar em acordo com ele ontem, quando li a seguinte declaração.

"Precisamos extirpar o DEM da política".

O DEM é o mesmo partdo, ainda que de nome e roupagem nova, que ajudou na esculhambação geral da república nas ultimas décadas (excetuando-se ai o governo Lula, ai a esculhambada muda de mão). Bandidagem, corrupção e deteriorização da imagem pública servidos de bandeja ao longo da história recente do Brasil.

Grande parte das modalidades de jeitinhos e furtos travestidos de ações institucionais foram estabelecidos por eles. Afinal, estão no poder, se não como homens de frente como cães de guarda, desde o golpe militar.

A geração que está ai é a segunda, em alguns casos a terceira, dos homens que estiveramao lado do poder por 40 anos. Paulo Bornhausenm líder do DEM na câmara, o mesmo homem que tenta hoje associar as palavras de Lula ao nazismo e ao autoritarismo, é filho de Jorge Bornhausen.

Para quem não conhece vou reapresentar o pai do sujeito. Político catarinense (apesar de ser carioca de oigem), Bornhausen entrou para a Arena, o partido dos militares durante a ditadura, em 1967, foi presidente da legenda entre 72 e 75 e governador biônico de Sta Catarina nos anos 80. Em 1985 rompeu com a ditadura militar. Veja bem, 1985. m 1985 já havia ocorrido o movimento das Diretas Já e foi exatamente o ano da redemocratização quando o poder retornaria às mãos de um civil.

Nesse ano então, de 1985, Jorge Bornhausen "rompe" com a ditadura militar e funda o PFL.

Não demorou muito para conseguir o seu primeiro cargo de ministro. Foi em 1990 como Ministro da Casa Civil de Fernando Collor de Melo. Pense na relação Lula-Dilma, era a mesma Collor-Bornhausen.

O PFL ocupou ministérios no governo Collor, Itamar e nos doi mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Ufa! Faz tempo que esses moços estão à frente da política do país não é, caro leitor? Será que os 31 anos de serviço não foram suficientes para deixar um legado positivo para o país?

Veja bem, escolhi o Jorge Bornhause para contar essa história porque acredito que ele representa de forma muito clara quem foi o PFL e quem é o DEM. Poderia ter escolhido, por exemplo, Antonio Carlos Magalhães para contar exatamente a mesma história, ou o Inocêncio Oliveiram, condenado em 2003 por manter 53 pessoas em regime de escravidão em sua fazenda no Maranhão.

Todos esses foram homens que moldaram e lideraram o PFL que, de tão sujo, precisou mudar de nome.

DEM.

Nome sugestivo, mas que dizer Democratas, não o que quer que você tenha pensado.

No DEM Paulo Bornhausen tem a companhia de Antonio Carlos Magalhães Neto, entre outros herdeiros do meu, do seu, do nosso dinheiro. Sim, pois foram assim que enriqueceram os seus pais, com o dinheiro público.

É dessa forma que retornamos ao princípio deste texto.

Quando Paulo Bornhausen tenta apregoar algo de ditador a Lula, fico pensando como ele se referiria ao governo do qual seu pai fez parte? Como era o nome mesmo?

Ditadura Militar?

Era esse o nome?

E qual é a moral de Paulo Bornhausen para falar de democracia ou autoritarismo? Por isso sou obrigado a, depois de muito tempo, voltar a concordar com o presidente Lula,... Precisamos extirpar o DEM deste país. É a única forma que teremos de começar a extirpar toda a podridão de Brasília e dos nossos estados, cidades e bairros.

Entretanto, para não recorrermos aos artifícios que recorreu o pai do Paulo Bornhausen para fazer com o país o que quisesse, precisamos votar. Por isso, caro leitor, quando for votar no final deste ano, pesquise. Não se deixe enganar por emails, correntes ou opiniões alheias. Pesquise você mesmo.

Governo, oposição, desconfie de todos eles. Não é o conselho que sonhei em dar, mas é o melhor que posso oferecer. Recorra à internet, mas sempre desconfie dela. Só asim poderemos construir um país melhor. Votando. Eles podem governar mal o nosso país, mas nossas vidas e decisões são governadas por nós mesmos.

Vale o destaque: anular ou votar em branco não é solução nobre, é omissão pura. Você não será melhor do que eu caso eu vote mal e você nulo. Estaremos exatamente na mesma prateleira. Dos que contribuíram mais um pouco para que os escroques que dominam o país continuem a destruir o que é de todos.

3 comentários:

Pereira disse...

Bah, tchê. Com a extirpação onde a extirpação estiver.

Bruno disse...

Até hoje esse pereira?? Abramo, gostei do texto. Gosto quando vc aborda questões políticas. abraço!

Sergio disse...

Concordo com quase tudo. Só não acho que é "a única forma que teremos de começar a extirpar toda a podridão." Mas seria um belo começo, sem dúvida...